Hérnia de disco e dor lombar?


Hoje vamos falar sobre hérnia de disco lombar. Primeiramente uma breve explicação do que é hérnia de disco. Disco é uma estrutura fibrosa com líquido dentro que fica entre as vértebras. Como toda estrutura do nosso corpo, ele está sujeito a alterações normais que levam a um desgaste e consequente achatamento com possível abaulamento posterior, a chamada hérnia de disco, que pode ir para trás e comprimir o nervo. Os sintomas geralmente são: dor, formigamento e irradiação para coxa, perna ou pés.

A dor lombar acomete mais de dois terços da população mundial em alguma época da vida. A dor nas costas está associada a altos custos nos serviços de saúde e tem consequências econômicas substanciais devido à perda de produtividade no trabalho. Cerca de 90% delas não tem nenhuma causa específica, e em mais da metade a resolução é natural em 3 semanas. Certamente já ouvimos falar de pessoas que fizeram exames de imagem para saber qual a real causa da dor e receberam os seguintes diagnósticos:
– Protusão discal e Hérnia de disco
– Degeneração / espondilose
– Espondilólise/espondilolistese
– Fissuras no disco, nos anéis fibrosos…
Mas o que pouca gente sabe é que existem estudos em pessoas assintomáticas, ou seja, quem não tem dor alguma naquele momento, que apresentam os mesmos achados clínicos do exame de imagem em quem tem dor. Segue abaixo na tabela traduzida do estudo de 2015 de um autor chamado Brinjikji e colaboradores que contém algumas dessas alterações pela idade, em quem não tem dor nenhuma!

Então vemos que as alterações encontradas nos exames de imagens são muito frequentes e que elas não necessariamente estarão relacionadas à dor. Vários outros fatores físicos, sociais e/ou emocionais também podem estar envolvidos e provocando ou perpetuando os sintomas. Mas como saber a real causa da dor? Pode ser o que deu no exame ou não, e através de avaliação clínica específica e tratamento direcionado sabe-se com maior probabilidade de acerto o motivo. Mas cuidado, existem várias linhas de tratamento que não necessariamente têm sua devida comprovação clínica e validação científica.
E se a hérnia realmente causar os sintomas e estiver comprimindo o nervo? Outro dado importante é que as hérnias podem ser reabsorvidas espontaneamente (isso mesmo, sem você fazer tratamento nenhum) ao longo de 1 ano e quanto maior o grau da hérnia, maior a chance dela ser reabsorvida (0% – 63% para desaparecer e 57% – 100% para redução ou desaparecimento), se não ocorrer, não está relacionado a um desfecho clínico pior ou melhor. Caso não tenha melhora com tratamento conservador (medicação e fisioterapia) ou exista perda de força e sensibilidade (inclusive perda das funções urológicas) a cirurgia é indicada para sanar o problema, que corresponde a menos de 10% dos casos.
O papel da fisioterapia é identificar e tratar a causa e sintomas, para encurtar o tempo de inatividade e afastamento que a lombalgia provoca. Se a dor perdurar por mais que 3 meses, já é considerada crônica e o tratamento leva um pouco mais de tempo. No próximo post dessa semana falarei com mais detalhes sobre dores crônicas.

Referências:
– Brinjikji et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR Am J Neuroradiol. 2015 April; 36(4): 811–816. doi:10.3174/ajnr.A4173.
– Panagopoulos et al. Do MRI Findings Change Over a Period of Up to 1 Year in Patients With Low Back Pain andor Sciatica? SPINE 2017. Volume 42, Number 7, pp 504–51.
– Steffens et al. Do MRI findings identify patients with low back pain or sciatica who respond better to particular interventions? A systematic review. Eur Spine J. 2016 Apr;25(4):1170-87. doi: 10.1007/s00586-015-4195-4. Epub 2015 Sep 2

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