Gestação, Parto e Puerpério


 

           Com a gravidez, o corpo da mulher sofre alterações fisiológicas progressivas e contínuas enquanto ela se prepara para vivenciar uma nova função em seu círculo familiar e social. E é no período pré-natal que a grávida deve ser orientada quanto às etapas que vivenciará durante a gestação, no trabalho de parto e no pós-parto ou puerpério como é conhecido esse período.

          É função do fisioterapeuta especializado em Fisioterapia Pélvica trabalhar com a gestante, orientando e sensibilizando-a para que desenvolva toda a potencialidade de seu corpo, cujo controle e coordenação serão solicitados neste momento tão especial que é o parto. E todo esse trabalho pode e deve ser iniciado por uma região do corpo importante, porém muitas vezes desconhecida: o assoalho pélvico.

        O assoalho pélvico (ou períneo, como é conhecido) é o conjunto de músculos, ligamentos e fáscias, que fecha a pelve e é perfurado por três orifícios: a uretra, a vagina e o ânus. Seu papel é o de sustentar vísceras pélvicas e abdominais, manter a função urinária e fecal, além de participar da função sexual e permitir a passagem do bebê no momento do parto. Durante a gestação essa musculatura é bastante exigida, uma vez que necessita manter o útero gravídico, ou seja, o útero e o bebê em constante crescimento. Para que o assoalho pélvico desenvolva bem sua função na gravidez, é preciso que esteja forte e elástico, a fim de permitir a sustentação do bebê e sua saída no momento do parto, causando o menor estresse possível para o corpo da mãe.Por muito tempo o parto normal foi considerado o grande vilão do assoalho pélvico, sendo responsabilizado pelo aparecimento de incontinência urinária e fecal. Porém, sabe-se atualmente que a gestação por si só já é um importante fator desencadeante e/ou agravante das incontinências, e não necessariamente o tipo de parto.

         Uma musculatura perineal fraca pode levar à repetição de sintomas urinários nas gestações futuras e, posteriormente, ao longo da vida. Além disso, as lesões consecutivas à distensão do assoalho pélvico durante um parto mal-orientado podem afetar elementos como pele, ligamentos, nervos e músculos.

       O tratamento da incontinência urinária e de outras disfunções do assoalho pélvico pode ser clínico, cirúrgico ou conservador, porém nem sempre as intervenções cirúrgicas são as mais indicadas. Por esse motivo, devemos sempre ressaltar a importância da atuação preventiva da Fisioterapia durante toda a gestação e no pós-parto (imediato e tardio), principalmente para aquelas mulheres que tiveram alguma disfunção ainda na gestação.

        A avaliação fisioterapêutica e reabilitação da função do assoalho pélvico durante a gestação podem ser feitas através de toque, biofeedback perineal, perineômetro, exercícios perineais, diário miccional e até mesmo cones vaginais, sendo perfeitamente realizável entre o terceiro e sétimo mês de gestação. Já no pós-parto, utilizamos recursos adicionais como eletroestimulação e a massagem perineal para acelerar a cicatrização e prevenir de aderências. O objetivo do tratamento fisioterapêutico é “despertar” o assoalho pélvico, aumentando sua sensibilidade, fortalecendo e treinando-o a contrair e relaxar voluntariamente. Tanto a escolha do método quanto a duração do tratamento dependem do tipo de disfunção, da integridade dos reflexos perineais e da sensibilidade local.

 

MARQUE UMA CONSULTA COM NOSSOS PROFISSIONAIS