Dores Crônicas


Dando continuidade ao último post que aborda as dores lombares, vamos falar um pouco sobre a dor lombar crônica.
A dor crônica, muitas vezes chamada de dor persistente, é aquela que dura mais de 3 meses. Nem sempre existe uma lesão tecidual associada e a dor persiste, mesmo encontrando alteração no exame de imagem. Acontece que pensamentos, comportamentos e emoções negativas, associadas ao medo, depressão e ansiedade, e mais ainda inatividade física faz nosso corpo gerar um mecanismo de perpetuação e manutenção da dor, mesmo que a lesão tecidual pré-existente já tenha cicatrizado.
Explicando de maneira sucinta, a dor funciona como um sistema de alarme do nosso corpo, cuja principal função é avisar um risco potencial ou efetivo. Então quando estamos em alguma situação em que vamos sentir ou sentindo dor, alguns receptores locais captam algo diferente e já enviam este estímulo para regiões específicas da coluna vertebral até o cérebro. A interpretação e percepção do estímulo doloroso acontece numa determinada região cerebral. Após analisar o estímulo, criamos uma maneira de modular a dor, ou seja, somos capazes de inibir (temos uma potente farmácia dentro de nosso corpo) ou aumentar a dor percebida de acordo com diversos fatores, sejam físicos, emocionais, sociais ou ambientais. Todos estes fatores contribuem na maneira de como vamos nos adaptar àquela situação dolorosa.
Portanto, vemos que a dor crônica e a lombar sendo a lombar como maior causa de prevalência e incidência é muito mais complexa do que aparenta, só quem sente sabe como dói…
E para melhorar essa dor?
Estudos mais recentes têm mostrado muitas evidências científicas para: atividades e exercícios físicos que causem satisfação e prazer; hábitos alimentares saudáveis, técnicas específicas de meditação, dentre elas a atenção plena ou Mindfulness; Yoga; Acupuntura; e Terapia cognitivo comportamental ou funcional. Resumindo, adotar hábitos e estilos de vida que sejam saudáveis, e ser resiliente (capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças) influenciam positivamente nos resultados na melhora do controle da dor.
A fisioterapia e outras áreas da saúde atuam em conjunto para avaliar e contribuir na melhora gradual. Caso queira agendamentos de avaliação e consultas, ou até mesmo esclarecer algo que não tenha ficado claro, entre em contato com a clínica Espaço Saúde e fale com Pedro Barcellos.
Muitos pesquisadores brasileiros em parceria com estrangeiros têm feito um excelente trabalho nessa área e segue a página deles, caso queiram saber e se informar constantemente sobre as novas pesquisas: www.pesquisaemdor.com.br.
Referências:
– Mertens P, et al. Anatomy, physiology and neurobiology of the nociception: A focus on low back pain (part A). Neurochirurgie (2014), http://dx.doi.org/10.1016/j.neuchi.2014.09.001.
– Nijs j, et al. Exercise therapy for chronic musculoskeletal pain: Innovation by altering pain memories. Manual Therapy 20(1) · January 2014, DOI: 10.1016/j.math.2014.07.004
– Geneen LJ, et al. Physical activity and exercise for chronic pain in adults: an overview of Cochrane Reviews. Cochrane Database of Systematic Reviews 2017, Issue 4. Art. No.: CD011279. DOI: 10.1002/14651858.CD011279.pub3.
– Wieland LS, et al. Yoga treatment for chronic non-specific low back pain. Cochrane Database of Systematic Reviews 2017, Issue 1. Art. No.: CD010671. DOI: 10.1002/14651858.CD010671.pub2.
– Furlan AD, van Tulder MW, Cherkin D, Tsukayama H, Lao L, Koes BW, Berman BM. Acupuncture and dry-needling for low back pain. Cochrane Database of Systematic Reviews 2005, Issue 1. Art. No.: CD001351. DOI: 10.1002/14651858.CD001351.pub2

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